quarta-feira, 12 de março de 2014

As muitas mortes de Regdar, e a estética na 3ed.

Esta postagem surgiu de uma conversa com o pessoal da comunidade "AD&D Brasil" no Facebook. Começamos a relatar ilustrações onde o Guerreiro icônico ("icônicos" são os personagens usados como exemplo, para representar classes e raças na 3ed) Regdar - que eu sismo em chamar de Redgar- acaba se dando mal, geralmente morrendo.

Exemplos temos várias, e como não manjo de 3ed (aliás, este é um raro post a tratar sobre um D&D pós AD&D!), não saberia dizer todos. Quem souber mais, poste nos comentários que eu atualizo (aliás, quem souber o nome dos livros de onde vem a imagem, por favor ajude a identificar):


Draconomicon -pedaços da armadura e escudo de Regdar no tesouro 
The Sinister Spire
Heroes of Horror - pedaços da armadura (e talvez do próprio)

"Devil, Slime". MM3 da 4ed
Propaganda no site do Wizards of the Coast
Livro do Jogador, 4ed
Livro Cthulhu D20


Então, procurando por mais informações, encontrei um texto no fórum RPG.net muito interessante, citando uma postagem de Monte Cook, um dos cabeças por trás da 3ed.

No texto, ele comenta como a TSR tinha regras estúpidas sobre os personagens presentes na capa dos livros, e que como acreditava que a maioria dos jogadores era composta de "homens brancos", essa era a diretriz dada aos ilustradores. Não entrando no mérito de "quem joga mais RPG", o negócio é que era um preconceito sim, independente da explicação.

De saco cheio disso, Cook e a equipe por trás dos "icônicos" recebeu uma noticia de um dos departamentos da Wizards reclamou que faltava o "human male fighter", sendo que o "white" estava implícito.

O desenhista que iniciou a criação do Regdar foi Todd Lockwood, que procurou misturar várias etnias e deixar Regdar meio "indefinido" neste ponto.Apenas um tempo depois, o guerreiro se tornou o "white male fighter" que eles tentavam evitar. Por causa desta insistência da empresa em um Regdar "branco", perpetuando o esteriótipo que a equipe de criação não queria, resolveram fazer ilustrações onde o pobre guerreiro se ferrava.

Para quem tem interesse no texto original, clique aqui.


(Atualizado: origem das imagens da gosma e da medusa encontradas pelo Leo Lima!)
(Atualizado 14/03: nova imagem por Igor Sartorato e Felipe Pep)
(Atualizado 15/03: nome de uma imagem por Igor Sartorato)

quinta-feira, 6 de março de 2014

Os módulos que integram a série S

Bom, demorou mas aqui está. Além de recuperar as resenhas feitas (com imagens) dos quatro primeiros módulos, acrescentei mais quatro livros! Para ler, basta entrar em "Compilações" e baixar

Espero que curtam, e claro, comentem.

domingo, 2 de março de 2014

& Magazine

Salve pessoal, hoje queria falar um pouco sobre uma revista bacana que aos poucos vai ganhando os eu espaço na comunidade OSR.

 A “& Magazine” (“and magazine”) é uma revista digital que busca dar suporte ao AD&D 1ed (principalmente), e eu diria que faz isso muito bem.  Sua primeira publicação ocorreu em 2012 (a revista é quadrimestral), e cada edição tem um tema específico, como por exemplo “aventureiros iniciantes” (ed. 1) ou “aventuras urbanas” (ed.8), fato que me agrada muito.

A falecida Dragon Magazine tinha um esquema semelhante em uma época, e sempre achei bacana essa forma de organizar as coisas.

Embora eu prefira material impresso, justamente por não ter leitores digitais portáteis, a diagramação é simples e agradável aos olhos, sendo que alguns volumes são mais “print friendly” do que outros. Alias, o fato de manterem alguns links para consulta ou propaganda realmente faz mais sentido em um formato digital.

Temos aventuras, itens mágicos, matérias com novas regras e esta sorte de conteúdo, criado por fãs. Artistas amadores também têm espaço na publicação, e confesso que gosto do charme que alguns desenhos possuem, com pintura a lápis de cor mesmo, como se fosse algo tirado das minhas aventuras nos anos 90.

Lenard “Len“ Lakofka contribui na maioria das edições até agora, e como sempre, com matérias muito interessantes (além de autor de muito material da TSR, Lakofka tinha uma seção própria na Dragon Magazine). Melhor que artigos com “novos itens”, gostei muito da matéria sobre Druidas em dungeons (ed. 8). Na verdade, pra mim esse tipo de “insight” pode ser muito mais valioso do que uma relação de itens mágicos novos.

Confesso que não li todas, mas as edições que li foram bem interessantes. As aventuras, de modo geral, são curtas e com potencial para expansão, e ótimas para eventos. Gostaria apenas que se mantivesse um padrão preto e branco, e com ilustrações mais “print friendly” (como comentei acima), pois com certeza seria um material que eu imprimiria para ler.


Visitem o site deles, http://www.and-mag.com/, e confiram a & Magazine e o material de suporte (como aventuras maiores e auto contidas).

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Famosa tabelinha da 1ed

Muitos conhecem esta tabela, criada por Gygax e publicada no livro do mestre do AD&D 1ed. Pois bem, se tem uma coisa que certamente Gygax vai te ensinar, é olhar no dicionário. Com esse intuito, traduzi a tabela de prostitutas do DMG, usando também as descrições usadas neste blog.

São apenas interpretações, e nem estou entrando no mérito da validade da tabela. Apenas trago algo que bem ou mal faz parte da história do D&D.

clique para aumentar

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

(S5) The Dancing Hut of Baba Yaga


Escrito em 1995 por Lisa Smedman, esta aventura para AD&D 2ed é considerada como o quinto módulo da série “S” (Special), mesmo não tendo este código na capa. Em 1996, a TSR lançou uma promoção, uma espécie de “quiz” chamada TSR Triviathlon, e na seção “The History of TSR”, esta aventura consta com o código S5. A razão para não haver este código na capa é um mistério, mas alguns acreditam que originalmente The Dancing Hut of Baba Yaga era um módulo para o AD&D 1ed, mas que só viria a ser publicado nos anos 90.

Algumas informações levam a crer que isso não poderia ser possível, visto que a autora só escreveria para a TSR nos anos 90, de acordo com Shannon Appelcline (autor de Designers & Dragons). Fica então um mistério, pois ainda há a possibilidade de ter se trabalhado em cima de uma vontade antiga da empresa, uma vez que a Cabana foi publicada no D&D desde 76.


História:

A história em si não é complexa ou mesmo muito elaborada. Existem vários ganchos de aventura que levam o grupo até a Cabana. Basicamente, a história é isso: invadir e explorar a Cabana Dançante da Vovó Yaga.
Existe sim um bom trecho explicando as motivações da Baba Yaga, um pouco de sua história (como ela capturou as “Mortes Menores” e aprendeu com elas como prolongar sua vida), e isto acaba de certa forma servindo como “história” para a aventura. Baba Yaga quer capturar a Morte em pessoa, e fazer um trato para garantir que nunca morra.



Sobre a aventura:

A parte sobre a Baba Yaga já é um show à parte. Esta poderosa feiticeira é incrivelmente forte, tendo capturado (e posteriormente libertado) a Luz, a Escuridão e o Poente, de forma que em qualquer dimensão ou realidade que ela vá, consegue controlar o anoitecer e amanhecer.

Depois temos as explicações sobre a cabana em si, um tipo de dungeon maluca, obviamente muito maior por dentro do que aparenta ser por fora.

A aventura foi criada para personagens de nível 7 ao 20, o que é uma bela diferença. Existem muitos quebra-cabeças e desafios do gênero, além de muitas armadilhas. Uma das minhas favoritas é uma passagem que leva, na verdade, para o interior do intestino do primeiro que abrir a porta. Vou deixar os efeitos desta armadilha para a imaginação do leitor.

O fato de ter várias armadilhas e charadas não tira uma boa dose de combate. De mortos vivos à demônios, existe pouco que na verdade não possa contar na cabana. Tempo e espaço não são  problema, como podemos ver por causa de um  fantasma ciborgue e pela Tóquio contemporânea miniaturizada em uma das áreas.

Esta aventura é tão estranha, perigosa e divertida quanto imagino que deva ser a experiência de entrar na Cabana Dançante da Vovó Yaga.
Curiosidades

-Existe mesmo a lenda da Baba (vovó) Yaga e sua cabana. Ela faz parte do folclóre eslavo, e ficou muito popular no imaginário russo. Sua versão no D&D é tem muitas semelhanças com a figura folclórica.

-A cabana já apareceu em vários livros durante as edições do D&D. Começando no quarto suplemento Eldritch Wizardry (1976) do OD&D, passando pelo livro do mestre do AD&D 1ed (1984) e o Book of Artifacts (1993) da 2ed. Além disso, matérias e aventuras sobre Baba Yaga e sua cabana sairam em diferentes volumes da Dragon Magazine.

-Por fim, eventualmente a Wizards of the Coast decidiu fazer com que a Baba Yaga fosse a mãe adotiva da feiticeira Iggwilv do cenário de Greyhawk, e consequentemente, avó de Iuz e Drelzna.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Para ficar de olho: The Hobby Shop Dungeon

Já comentei antes sobre a Dungeon Hobby Shop aqui e aqui.
O que queria chamar a atenção hoje é do produto planejado por Ernest "Ernie" Gygax, autor da dungeon original usada na loja, com participação de Benoist Poire (jogador da velha guarda).

A idéia é organizar o material antigo e dar uma atualizada sem perder o sentimento old school da coisa. Além de ser planejado para sair em uma caixa (o que meio que voltou a moda), Benoist fala em uma entrevista que planejam fazer algo memorável, a chegar em um ponto em que os jogadores "compartilham uma experiência". Algo como "ei, até onde seu grupo conseguiu chegar na Dungeon?"

O trabalho parece ser gigantesco, com muita dungeon crawl, mas acho que se for bem apresentado, não tem como errar. A aventura "The Memorial Tomb of Garn Pat'uul", apresentada na edição #3 da Gygax Magazine (ei Correios, cadê a minha?!?!) se passa no mesmo cenário, no mesmo "mundo" a ser construido por Gygax Jr e Poire. Ela serve como uma introdução ao cenário, o que é uma ótima sacada.



Bom, vamos ficar de olho e torcer para que dê tudo certo. Sigam a página no FB: https://www.facebook.com/hobbyshopdungeon

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Explicando mais alguns nomes famosos no D&D

Continuando este post, vejamos mais alguns nomes e suas curiosidades:

Drawmij
-Personagem de Jim Ward (criador de Metamorphosis Alpha), o nome deste mago é “Jim Ward” escrito ao contrário. A Wizards of the Coast detém os direitos do nome Drawmij, para o desagrado de Jim Ward.

Kas:
- “Kas” é uma homenagem a “Tim KASk”, primeiro funcionário da TSR e editor da Dragon Magazine. Tim descobriu essa homenagem tempos depois.

Lolth:
-Antes de ser considerada uma deusa, Lolth era um demônio de grande poder, comentada em D1- Descent into the Depths of the Earth (1978) e descrita com maiores detalhes em D3 -Vault of the Drow (1978), e mais tarde a principal antagonista do módulo Q1- Queen of the Demonweb Pits (1980).A soma dos módulos “Giants”, “Drow” e “Queen” forma o supermódulo GDQ –Queen of Spiders (1986).
-O papel de Lolth como uma deusa é explorada no suplemento Deities and Demigods (1980).
-Lolth faz uma aparição no episódio “Hall of Bones” (O Salão dos Ossos – ep. 3) do desenho “Caverna do Dragão”, interpretando uma bela mulher que leva os heróis a uma armadilha em conjunto com o Vingador.



Mordenkainen:
-Gygax gostava da mitologia Finlandesa, em especial da epopeia nacional “Kalevala”. O personagem principal era um mago com um nome semelhante, chamado “Väinämöinen”. Alguns personagens de Tolkien também tiveram Väinämöinen  como fonte de inspiração (como Gandalf e Tom Bombadil)

Perrenland:

-Região de Greyhawk, tem seu nome por causa de Jeff Perren, co-criador do Chainmail e game designer que também foi um dos primeiros integrantes da “Lake Geneva Tactical Studies Association” (junto de Gary Gygax, Robert Kuntz, Don Kaye, etc). “Perrenland” era o nome da região da campanha de Jeff Perren, mas Gygax usaria praticamente apenas o nome, como homenagem ao amigo.

Rary:

-O nome do mago que traiu o Círculo dos Oito vem de um trocadilho. Seu jogador, Brian Blume, queria que este mago fosse um “Medium”, para poder chama-lo de “Medium Rary” (referente a um ponto da carne, como “ao ponto para mal passada”).